sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Sobre K

Eu não sei o que foi que nos tornamos, nem o que foi que eu me tornei desde que estou aqui. Não consigo dizer que gosto mais de mim, mas sei que o 'ser eu' pesa um pouco menos.

Queria poder me traduzir, falar das depressões, das vontades de sumir, morrer ou simplesmente ir para Ouro Preto... dos desapontamentos e da falta de motivo que tenho para deixar de te amar. Da vontade de conhecer as pessoas e ver que elas são pelo menos um pouquinho mais do que é dito delas. Tanto se diz de ruim, amor, como as pessoas se apunhalam nestes lados de cá!

Fui à Brasília me lembrar da falta de ar que era viver uma vida que se encerrava em si, que era só aquilo ali... Viver aquilo era um cárcere a céu aberto. O céu de lá é azul e os ipês ainda amarelam na estação seca. A cidade tão horizontal mas fisicamente comedida... O fim de Brasília ficava lá onde a vista alcança. Curioso que aqui o céu seja cinza, o ar sufocante e o concreto não nos deixe ver o horizonte, mas aqui eu consigo respirar... A única e (permita-me a licença poética) mais imensa alma que me faria lá ficar era K. Porém, eu não podia sugar toda sua luz para ela holofotizar só a mim. Eu preciso de muita, muita luz e só aqui na cidade cinza é que posso aprender a viver sem.

O que você está fazendo?
Esquecendo
Queria você aqui
Cuidado com o que você deseja.
Andei mesmo desejando coisas erradas. E o que mais queria delas não consegui - ouvidos, abraços e boca (para fins verbais!). Queria compartilhar algo mais que só fluidos corporais. Ainda devo temer o que desejo?
Ainda deve correr atrás.

K sabe que para renascer em meio a tudo aquilo ela precisa se fechar. Nada de escândalos ou corações partidos expostos na cara. Nade medir de quem é a dor maior. Nada de fins justificando os meios... Isso é dissipar energia.
K não é daqui, K não é dessa gente.