segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Perdidas na selva de pedra

Eu quero um colo, um berço
Um braço quente
Em torno ao meu pescoço
E uma voz que cante baixo
E pareça querer me fazer chorar
Eu quero um calor no inverno
Um extravio morno da minha consciência
E depois em som
Um sonho calmo
Um espaço enorme
Como a lua rodando entre as estrelas 

Fernando Pessoa

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A sort of fairy tale

Dor não se mede. E passei um bom tempo com a minha em níveis aflitos. Vou me casar este prazer e, vez ou outra, com a libertinagem também - agora que posso tê-los.
A única coisa desagradável é que a inspiração advinda da alegria ainda me é estrangeira. Mas não por muito tempo...

"Apesar de todos os medos, escolho a ousadia.
Apesar dos ferros, construo a dura realidade.
Prefiro a loucura à realidade, 
e um par de asas tortas aos limites da comprovação e da segurança.
Eu sou assim, pelo menos assim quero me imaginar: 
a que explode o ponto e arqueia a linha, 
e traça o contorno que ela mesma há de romper.
Desculpem, mas preciso lhes dizer: Eu quero o delírio."
Lya Luft


terça-feira, 13 de setembro de 2011

Tô me afastando de tudo que me atrasa, me engana, me segura e me retém. 
Fui ser feliz, e não volto.

Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...


Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...


E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...


E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.


Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.


Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!


E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...


Mário Quintana